Ensaio sobre o cansaço - Peter Handke

 Ensaio sobre o Cansaço


Um homem casado e uma mulher bêbada formam um belo par, não acha?

Um homem cansado e uma mulher cansada formam o mais belo par

(Interlúdio, 1947)


Peter Handke (2020) recorre à Hitchcock para ilustrar o cansaço como um pré requisito ao encontro amoroso. Para o filósofo e escritor  o cansaço é, acima de tudo, um problema de linguagem e - desde o início do texto - ele buscará imagens do cansaço para circunscrevê-las com a linguagem.


“O cansaço privou o que olhava do seu eu próprio - o eternamente desassossegado, cheio de tiques, manias e rugas de preocupação - nada mais do que olhos libertos(…)Graças ao meu cansaço o mundo se livrava de seus nomes e se alargava’


A estrutura do texto - organizada em forma de diálogos - imita os degraus de uma escada onde iniciamos com o cansaço da criança na missa frente aos rituais da liturgia e termina com o cansaço do próprio Criador. Este seria o último estágio do cansaço, segundo Handke 


 “Deus cansado, sentado e desapoderado (...) onipresente em seu cansaço (...) Deus teria um olhar que estivesse ciente do visto em qualquer lugar do mundo - isso teria poder”


O objetivo maior do ensaio, segundo o autor, não é persuadir ninguém, nem mesmo com imagens mas apenas lembrar cada pessoa daquele cansaço capaz de narrar


NINA OLIVA


Referência:

HANDKE, Peter. Ensaio sobre o cansaço. SP: Estação Liberdade, 2020.


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