Literatura e Cinema

A literatura e o cinema sempre mantiveram uma relação simbiótica, livros foram e são utilizados de inspiração para adaptações cinematográficas que trazem as histórias com novos elementos visuais, sonoros e emocionais. A transição de uma obra literária para o cinema pode ser muito desafiadora, difícil e instigante, mas algumas adaptações se destacam por preservar a essência genial dos livros, ao mesmo tempo em que enriquecem a narrativa com uma linguagem cinematográfica única. Muitas pessoas que não tiveram a chance de ler o livro, se deliciam com os filmes e de alguma maneira leem e conhecem o autor, outras ainda, revisitam a obra com figurino, música, lugar, com muita veracidade.

Um exemplo clássico é “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien. Peter Jackson conseguiu traduzir o vasto universo de fantasia criado por Tolkien, capturando tanto a grandiosidade da trama quanto a profundidade fantasiosa, emocional e única dos personagens.

Outro exemplo é “O Poderoso Chefão”, baseado no livro de Mario Puzo. Francis Ford Coppola transformou o romance sobre a máfia em um dos filmes mais aclamados de todos os tempos, mantendo a complexidade dos personagens e das intrigas familiares. A fotografia é belíssima, além de uma narrativa extraordinária, mostrando os dilemas da família Corleone, com uma exuberância e um figurino sofisticado, cenas de grande violência, pontuando no decorrer do filme como as dificuldades vão se mostrando EM vitórias e avanços.

Outro clássico é, “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen. O livro teve várias adaptações, mas a versão de 2005 dirigida por Joe Wright foi extensamente elogiada por capturar a essência romântica e a crítica social do livro, que a Jane Austen trouxe, o filme caminhou com uma trilha sonora, figurino, visual cheio de delicadeza e impecável, sendo muito fiel ao livro.

Um filme brasileiro muito assistido e importante de destacar, pois mostra nossa cultura de forma brilhante é “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna. Ele teve adaptação para o cinema e a TV. O filme é muito fiel à obra de Ariano, que traz as aventuras de João Grilo e Chicó, dois nordestinos pobres que vivem de golpes para sobreviver. Eles estão sempre enganando o povo de um pequeno vilarejo, inclusive o temido cangaceiro Severino de Aracaju, que os persegue pela região por onde passam. 

O título da obra remete à noção de que o homem é um ser passível de erro, é possível que seja perdoado, por intermédio da “Compadecida” - Nossa Senhora, que, na Igreja Católica, é considerada pelos fiéis como a advogada capaz de interceder pelos pecadores. O filme revela costumes, cultura, música, linguagem por meio dos dois personagens do povo nordestino, busca o retrato de uma sociedade brasileira específica, que tem arraigadas a crença no conhecimento vulgar e religioso, e que necessita romper com as barreiras impostas por este mundo na busca do desenvolvimento. 

Esses filmes demonstram como a literatura pode ganhar nova vida no cinema, permitindo que novas audiências se conectem com as histórias de formas diferentes, sem perder a essência da obra original, mas proporcionam cor, movimento, luz, e viagens sobre a obra. É uma forma de ler a beleza da obra, pelos olhos e som.

Célia R. Rossi


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